Diretório Central dos Estudantes Universidade Federal de Santa Catarina
Horário de Funcionamento Segunda a Sexta - 8:00 às 20:00
Local: Centro de Convivência UFSC
NOTA SOBRE A CONFRATERNIZAÇÃO DO PARANÁ NO CLUBE PAULA RAMOS 18/10/2011
Na segunda-feira, dia 10, a candidatura do prof. Paraná e Vera Bazzo realizou um coquetel de lançamento. Além da presença ilustríssima do Sr. Camarão que recheou os croquetes, pastéis e empadinhas, o coquetel também contou entre os vários estudantes, com a presença de membros do CAXIF e do DCE. Algumas horas depois já encontrava-se no site oficial da campanha do prof. Paraná, uma foto do professor Arno e da professora Olga com nossos companheiros, que de forma bastante oportunista tenta aparentar o apoio do DCE à candidatura do professor Paraná.
É bem conhecido que a entidade central dos estudantes tem um papel de destaque na politica universitária e que muitos estudantes acompanham atentos as posições do DCE e por ela se orientam. Dai que em um momento de eleições para a reitoria ocorra todo tipo de esforços, como este, para confundir os estudantes. Por isso, é preciso dizer: o DCE não apoiará a candidatura Paraná/Vera, pois encontra nela um projeto de universidade que nada tem a ver com os melhores interesses dos estudantes.
Este fato, por outro lado, nos faz perguntar: qual o papel de uma entidade estudantil durante um processo eleitoral para a reitoria como este?
Nós do grupo Rosa dos Ventos acreditamos que não podemos apoiar nenhum candidato por critérios banais. Não importa qual candidato é mais bonito, fofinho ou quantos quilos de camarão coloca em seus salgadinhos. O que importa num momento como esses é que as propostas dos candidatos sejam, desde a sua essência, compatíveis com os interesses das maiorias. Ou seja, que o projeto de universidade para o Brasil possa servir ao desenvolvimento da nação e não aos interesses de um ou outro grupo minoritário que se mantenha embebido em todo tipo de joguete politiqueiro e comercializando trocas de favores.
Sendo assim, a posição do DCE é a de que não apoiará inicialmente nenhum candidato, mas construirá um programa que expresse nossas concepções políticas forjadas em três anos de gestões de DCE e no acúmulo de debates ao longo desses anos de militância, nos quais o movimento estudantil conquistou o Novo RU, o fim do corte de vagas no vestibular, o aumento do valor da bolsa permanência, obrigou o reitor Prata a pressionar o Governo Federal pela solução das reivindicações dos servidores em greve e trouxe o DCE de volta para o cotidiano dos estudantes. Nosso programa será construído através de plenárias abertas nos centros de ensino, de forma ampla para que possamos abarcar propostas para os problemas que mais tocam os estudantes desde a sala de aula.
Reafirmamos, assim, nosso compromisso com o movimento estudantil. Retirando a política das mãos das poucas mentes “iluminadas” para trazê-la às maiorias dos estudantes. Reafirmamos também nosso compromisso em continuar comendo de graça em cada coquetel, festinha e bocas-livres promovidas por quaisquer candidatos. E para além disso, damos inicio a partir de agora à construção de um grande movimento, a oficialização do CCC: Comando Caça- Coquetel!
Acompanhe o DCE pelo twitter e facebook: a qualquer momento, nos clubes de luxo ou no bar da esquina... onde houver comida e bebida liberadas, nós estaremos lá! Vamos todos juntos, encher a pança e fazer todos os candidatos ouvirem nossas propostas! Pelo fim da política do camarão, que vez ou outra também dá às caras no RU, nos momentos mais oportunos para a reitoria!
Procure o DCE, procure seu Centro Acadêmico, vamos construir um programa estudantil para a universidade brasileira!
NOTA-RESPOSTA DO DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES - GESTÃO ROSA DOS VENTOS A RESPEITO DO PROCESSO DE LUTAS ESTUDANTIS NA UFSC NO ÚLTIMO SEMESTRE 13/10/2011
Recentemente a Juventude Comunista Avançando publicou uma nota sobre as lutas estudantis que marcaram a história do movimento estudantil da UFSC no início deste semestre. O Diretório Central dos Estudantes Luis Travassos – Gestão Rosa dos Ventos – agradece a Juventude Comunista Avançando pelo reconhecimento de que o DCE realizou um processo de muito debate, passagens em sala e diálogo democrático, aglutinando um grande número de estudantes ao redor das pautas mais concretas sentidas por cada um de nós.
A Juventude da Corrente Comunista Luis Carlos Prestes (Juventude Comunista Avançando) admite pela primeira vez a capacidade que esta gestão do DCE tem de massificação do movimento estudantil, abrindo possibilidades para avanços no debate político e, portanto, na disputa da universidade.
Porém, a sensatez da nota esgota-se neste único mérito. Dali em diante o que temos é um conjunto de denúncias e acusações que consideramos infundadas. E não é que nós recusemos às críticas, pelo contrário, a única forma de levar algo a sério é sermos absolutamente rigorosos. E nós queremos ser levados a sério! Diante desta nota, entretanto, nos vemos diante da obrigação de esclarecer alguns fatos.
O início deste semestre começou com diversos problemas na UFSC, sem condições mínimas de permanência na universidade e, ainda, com medidas extremamente conservadoras para resolver os problemas, como a proposta de corte de vagas para o vestibular. A greve dos servidores por melhores condições de trabalho ainda estava em curso, se tratava de uma luta justa e teve desde o seu início o apoio do DCE, pois acreditamos que devemos todos juntos pressionar o Governo Federal. E, no entanto, o reitor Álvaro Prata e seu vice, o professor Paraná (atual candidato a reitoria), permaneciam fingindo que a UFSC estava em estado de normalidade. O professor Paraná chegou a dar uma entrevista para várias emissoras dizendo que na UFSC havia uma ligeira dificuldade, mas que tudo estava muito bem.
Era um momento em que havia grande potencial de mobilização, já que os estudantes estavam sentindo, mais do que nunca, a precarização da universidade. Por isso, já nos primeiros dias de aula, o DCE deu início a um intenso processo de mobilização, com passagens em sala, panfletagens, Dogão do DCE, tentando envolver o maior número de estudantes na discussão sobre o que vinha ocorrendo.
Depois de grandes atos bem organizados e de uma vigília de oito dias na reitoria, houve a tão esperada Assembleia Estudantil no dia 25 de agosto; nesse dia a reitoria apresentou a proposta de aumento da Bolsa Permanência para R$ 420,00. No decorrer da assembleia houve desacordo sobre o que fazer: a JCA foi um dos grupos que propôs ocupar a reitoria, fechando as portas e inviabilizando seus trabalhos para agudizar a pressão, e o DCE, por entender que o movimento ainda crescia e por perceber que os canais de negociação vinham tendo resultado, defendeu na assembleia que uma ocupação naquele momento seria um erro. Consideramos que uma ocupação de reitoria é um instrumento de pressão importante, mas deve ser usado nos momentos certos, como quando o movimento atinge uma alta mobilização e os canais de negociação estão fechados, para que esta forma de luta dos estudantes não se desgaste ou perca a legitimidade.
Apresentamos a proposta de manter a vigília por mais uma semana como forma de esgotar este instrumento que possibilitou vitórias concretas, ao mesmo tempo em que ganharíamos tempo para realizar mais passagens em sala, assembleias de curso e de centro, enfim para aumentar nosso diálogo com a maioria dos estudantes – muitos dos quais ainda estavam sem informações sobre o que estava acontecendo. Além do mais, estávamos convencidos que uma ocupação abriria oportunidade para a reitoria criminalizar o movimento e forçar, por vias judiciais e policiais, os estudantes a sair da reitoria de mãos abanando (ou seja, sairíamos perdendo tudo o que havíamos conquistado durante a vigília: sem aumento na bolsa permanência ou a garantia de que a UFSC não cortaria vagas no vestibular). A votação teve diferença de pouquíssimos votos e nossa proposta foi vencida. No entanto, construímos a ocupação porque ela não era apenas daqueles que votaram favoráveis, e sim resultado de três semanas de movimentação intensa do ME da UFSC. Tendo construído o movimento desde o início, o DCE reivindica todo o processo, suas falhas, suas conquistas e seus rumos.
Após algumas mesas de negociação com a reitoria, e com a proposta de retorno das conquistas anteriores sem o corte de editais da Bolsa Permanência e com a criação de uma comissão paritária para acompanhar o processo de ajuste, no dia 27 de agosto, o DCE defendeu a desocupação por entender que este instrumento pouco mais poderia pressionar naquelas circunstâncias, e que poderíamos garantir ganhos que fortaleceriam o movimento estudantil se a ocupação tivesse um fim consequente e responsável. Nossa força assentava-se também no respaldo dos estudantes, e em caso de remoção e perda das conquistas, haveria a deslegitimação de todo o movimento aos olhos da maioria dos estudantes. A JCA iniciou a reunião dando o indicativo de que esta era a melhor opção política para o momento, mas retrocedeu quando viu que poderia utilizar aquele espaço para acusar o DCE, colocando que este tinha conchavo com a reitoria e todo tipo de falsa denúncia, ainda que os militantes da JCA soubessem que desocupar a reitoria era o mais coerente e responsável para com o movimento que vinha sendo construído. O instrumento da ocupação seria legitimado com algumas conquistas, o DCE sairia enfraquecido por ter sido contrário e eles aglutinariam um grupo de “independentes” favoráveis à ocupação para uma possível eleição de DCE.
No entanto, durante todo o processo, o DCE manteve sua política coerente e mantivemos nossa proposta de desocupação, e por isso não saímos enfraquecidos. Da mesma forma, estes independentes também permaneceram coerentes com sua política – que respeitamos, apesar de discordarmos – e votaram pela manutenção da ocupação até que as pautas fossem totalmente atendidas pela Reitoria, e por isso também não saíram enfraquecidos. No domingo defendemos novamente nossa posição e todos resolveram, então, que sairiam na segunda-feira (29/8) se o reitor entregasse sua proposta por escrito, e também garantisse um novo aumento para R$441,00 da Bolsa Permanência em março de 2012.
Nós do DCE continuamos determinados a legitimar a entidade e mobilizar os estudantes na construção de uma universidade realmente comprometida com um projeto de nação, uma universidade viva, pensante e pulsante! E é importante dizer: se conquistamos estas vitórias não foi pela vontade política da reitoria, mas pela capacidade do movimento estudantil em demonstrar firmeza nas suas exigências, e ao mesmo tempo, abertura para o diálogo.
E foi neste projeto que encontramos nossa coerência. Pois é somente quando o movimento estudantil deixa de fazer uma política de porões, e vê-se diante da tarefa de fazer política de maiorias, dialogando com TODOS os estudantes da universidade, é que nos vemos com a capacidade de mobilização capaz de garantir vitórias reais.
Esta é a história que temos que contar. A história de um movimento que elegeu cinco pautas prioritárias, e venceu em todas elas! A história de um movimento estudantil que faz sentido novamente na vida dos estudantes!
Diretório Central dos Estudantes – Gestão “Rosa dos Ventos” (2010-2011)
ELEIÇÕES DE REPRESENTANTES DISCENTES PARA CONSELHO UNIVERSITÁRIO 06/10/2011
O Conselho Universitário (CUn) é o órgão máximo de decisão dentro da UFSC. Ele está acima do Reitor e todas as principais decisões que a universidade toma passam por lá. O CUn é composto por Pró-Reitores, Professores de cada Centro, Servidores e Estudantes. O DCE é responsável pela indicação de 6 membros para compor o conselho, mas tradicionalmente cede-se uma das vagas à Assossiação de Pós-Graduandos (APG), para que os estudantes da Pós-Graduação também estejam lá representados. Os outros 5 membros o DCE submete à votação dos CAs no CEB. Para as últimas eleições inscreveram-se 2 chapas, e houve empate no número de votos (10 a 10). Como a APG não havia indicado nenhum membro, a solução para o impasse foi ceder 3 cadeiras para cada chapa até que a APG tivesse condições de ter seus representantes. Como isto aconteceu, realizaremos uma nova eleição entre as chapas para ver quem fica com a última vaga para a graduação. Abaixo você pode conferir o material das duas chapas.
NOTA DO DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES SOBRE A OCUPAÇÃO DA REITORIA 01/09/2011
No dia 17 de agosto cerca de 800 estudantes participaram de um ato na reitoria com o intuito de exigir do reitor respostas para os problemas estruturais e conjunturais que enfrentamos desde o semestre passado. A partir deste ato, o DCE juntamente com outros CAs acamparam na reitoria construindo uma vigília para pressionar o reitor a se posicionar sobre nossas reivindicações. Após 5 dias os primeiro sinais de sucesso apareceram: além do notório crescimento da vigília, o reitor entregou uma carta pela qual se comprometia com algumas exigências: comprometeu-se que não haveria corte de vagas na economia; estabeleceu novos prazos para fim das obras do RU, BU, moradia e prédio de salas de aula; divulgou um projeto de lei em tramitação no congresso a partir da qual 150 professores seriam liberados para a UFSC.
Estas vitórias foram importantes, pois demonstram que nosso movimento ganhou força e conseguiu pressionar a reitoria que estava cedendo. Discutimos que estas respostas eram sim um avanço, mas limitado. Na vigília preparamos uma resposta que admitia o progresso, mas reafirmava nossas reivindicações. Após a entrega da réplica, novas vitórias foram obtidas ainda antes da assembleia geral dos estudantes. O reitor divulgou um vídeo pressionando o governo federal a atender os trabalhadores das universidades federais; também divulgou, juntamente com a Andifes, uma nota com o mesmo intuito.
Na assembleia estudantil, o reitor reafirmou a posição contra o corte de vagas e apresentou uma proposta de reajuste imediato da bolsa permanência para R$420,00. Este resgate recente do nosso movimento é fundamental para nós do DCE, pois demonstra que o movimento crescia e ganhava força ao mesmo tempo em que mais e mais pessoas tomavam conhecimento dele. Por isso, e por perceber que os canais legais de pressão vinham tendo resultado, defendemos na assembleia que uma ocupação naquele momento seria um erro, apresentando a proposta de manter a vigília por mais uma semana como forma de esgotar este instrumento que possibilitou vitórias concretas, ao mesmo tempo em que ganharíamos tempo para realizar mais passagens em sala, assembleias de curso e de centro para aumentar nosso diálogo com a maioria dos estudantes.
No entanto, nossa proposta foi vencida e, legitimamente, a maioria decidiu ocupar a reitoria. Por se tratar de uma decisão democrática e autônoma do movimento estudantil, o DCE construiu esta ocupação. Infelizmente, o reitor preferiu difamar este instrumento enquanto deveria perceber que foi uma decisão real da maioria dos estudantes da assembleia No início da ocupação, diversas notas foram lançadas pela reitoria dando como encerradas as negociações ao invés de intensificá-las para que a ocupação fosse a mais breve possível.
Apesar das nossas críticas à construção da ocupação naquele momento, reiteramos que esse é um instrumento legítimo que deveria garantir as vitórias já obtidas até a vigília e conseguiu avançar com a criação de uma comissão paritária para dar continuidade aos aumentos da bolsa permanência sob o teto mínimo de 5%, ou seja, para R$441,00 a partir de março. Isso se deu não pela vontade da reitoria, mas pela capacidade do Movimento Estudantil em se mostrar aberto a negociação e disposto a reivindicar ganhos concretos para os estudantes da Universidade. A ocupação foi apenas um meio, e não o objetivo final do movimento que tem como fim a busca contínua de uma nova Universidade, garantindo e ampliando os direitos estudantis.
Todo o movimento construído nas últimas 3 semanas demonstrou mais uma vez a força do Movimento Estudantil e sua capacidade real de mudança da realidade. Cabe agora fortalecer nossos instrumentos democraticamente escolhidos e as instâncias de discussão do Movimento Estudantil. Por isso convocamos a todos a fortalecer nossas pautas de reivindicações, e a participar das próximas instâncias de deliberação. Convidamos a todos para a Assembleia Geral dia 6 de setembro, 11 horas no Hall da Reitoria, para que assim nosso debate se torne o mais amplo e democrático possível, e consigamos juntos, decidir os rumos da nossa universidade.
VIGÍLIA DE ESTUDANTES NA UFSC FORÇA REITORIA A SE PRONUNCIAR PUBLICAMENTE 24/08/2011
Após 8 dias de vigilia na reitoria, Movimento Estudantil da UFSC consegue segundo resultado importante, após a garantia de não haver corte de vagas na Economia este ano, Reitor se vê obrigado a se posicionar abertamente sobre a greve e sobre a negociação dos servidores com o governo federal. Confira o pronunciamento em vídeo:
RESPOSTA PÚBLICA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL DA UFSC AO OFÍCIO DO REITOR ENCAMINHADO À VIGÍLIA 24/08/2011
O semestre inicia com muitos problemas para os estudantes desta Universidade. Os problemas gerados pela greve dos trabalhadores técnico-administrativos somaram-se às questões estruturais que vêm se acumulando ao longo dos anos, como a demora na conclusão de obras, a falta de contratação de professores e de melhorias na assistência estudantil. O início do semestre sem RU, BU, e com proposta real de corte de vagas na universidade mobilizou centenas de estudantes desde o primeiro dia de aula. Grande parte desta indignação se deve à omissão dos dirigentes desta Universidade em assumir a responsabilidade diante destes problemas e a ausência de uma ação efetiva para resolvê-las.
O silêncio da Administração Prata e Paraná levou o DCE a iniciar uma vigília no dia 17 de agosto, após um ato que reuniu mais de 900 estudantes na reitoria, para pressionar estes dirigentes a tomarem uma posição efetiva diante dos nossos problemas. Após cinco dias de vigília o Reitor enviou um ofício em resposta à carta de reivindicações entregue pelo Diretório ao Gabinete demonstrando que somente a intensa mobilização e pressão de nós estudantes é que pode avançar na conquista de nossos direitos como estudantes, fundamentais para assegurar a nós condições de estudo e permanência adequados.
No entanto, o conteúdo da resposta mostra que ainda temos muito trabalho pela frente. Infelizmente, o Reitor mantém a postura de ignorar grande parcela dos problemas estudantis e continua a apresentar respostas vagas. Por isso, aberto esse canal de diálogo, é fundamental que o aprofundemos e mostremos à Administração Central o tamanho da tarefa que se impõe.
1. Conseguimos obter da Reitoria uma posição real e formal contra o corte de vagas na UFSC que se iniciava através do curso de Economia. Através de nossas mobilizações conseguimos garantir que 90 jovens continuem tendo acesso ao ensino superior público no próximo ano. Temos consciência que esta decisão é uma vitória do movimento estudantil, pois não fossem as mobilizações nestas duas semanas, a proposta de corte de vagas que contava com um apoio velado da Reitoria teria sido aprovada na Câmara de Ensino e Graduação no terceiro dia de aula (dia 10 de agosto). Ainda temos que garantir que o posicionamento da Reitoria se estenda a todos os cursos da UFSC.
2. A possibilidade de que no próximo ano esta ameaça volte não está descartada. Não à toa o reitor se posicionou contra o corte de vagas somente para o vestibular 2012. Como afirma o professor Álvaro Prata, nestes quatro últimos anos a Reitoria comandou um processo de expansão acelerado de vagas na Universidade como proposto pelo Governo Federal através do REUNI (Programa de Expansão e Reestruturação das Universidades Federais). No entanto, a quantidade de alunos quase dobrou, o que não ocorreu com a quantidade de professores, de servidores técnico-administrativos e com a estrutura física. Desde 2008 é implementado o projeto em nossa universidade. Como o próprio Reitor nos coloca na carta, “Destacamos que nos últimos três anos foram criados 24 cursos de graduação na universidade e promoveu-se um aumento superior a 50 % nas vagas nos concursos vestibulares. Isto representa um aumento nunca visto anteriormente” O que a Administração Central não deixa claro é que a expansão veio com uma contratação insuficiente de professores (e não nos servem apenas professores substitutos) e servidores, além de falta de espaço físico. A falta de qualidade da expansão mostra-se visível com aumento nunca antes visto de filas no RU, a falta de livros e de espaços físico apropriado para estudos na BU, vagas insuficientes no NDI e de computadores no LABUFSC. Em outras palavras, vivemos nos últimos ano uma expansão degenerativa, aprofundando muitos dos problemas que acumulamos ao longo das décadas passadas
O problema do corte de vagas, é resultante de uma expansão implementada de maneira irresponsável pelos Professores Prata e Paraná e pela falta de recursos disponibilizados pelo Governo Federal. Isso significa que se não houver um aumento de contratações e expansão do espaço físico provavelmente teremos que lutar novamente contra propostas de corte de vagas nos próximos anos.
3. O reitor apresenta como solução de um destes problemas, um Projeto de Lei que estaria tramitando no Congresso Federal que viabilizaria a contratação de mais 150 professores que ainda restavam do REUNI. Em primeiro lugar, se ainda restam professores do REUNI a ser contratados este é um direito já acordado entre a UFSC e o governo e, portanto não necessita de um Projeto de Lei que pode demorar meses e até anos para ser efetivado. Assim, é fundamental que o reitor exija do governo federal estas contratações imediatamente. Em segundo lugar, sabemos que diante das condições atuais e futuras, 150 professores serão insuficientes para resolver nossos problemas, pois, segundo nossos cálculos é necessária a contratação de 600 professores.
4. Os professores Prata e Paraná estabeleceram novos prazos para o Restaurante Universitário (setembro de 2011), Moradia Estudantil (outubro de 2011) e o Prédio de salas de aula (novembro de 2011). No entanto, esconde que estes prazos já foram estabelecidos anteriormente, que foram todos sistematicamente descumpridos. Para a entrega no novo RU, por exemplo, já foram lançados 3 prazos diferentes, sendo que o primeiro era dezembro de 2008! Portanto, somente a sua promessa, não garante que serão realmente efetivados. Ademais, vários outros prédios previstos no projeto inicial do REUNI sequer foram iniciados. Como o conjunto de salas de aulas no CCS, CCB, CVM, CCE, CSE, CDS e CCJ que totalizando 24.000 m² que nunca saíram do papel e que segundo a própria reitoria eram necessários. Isto somente no campus Florianópolis.
Os novos campi sofrem anda mais com estes problemas. No Campus Curitibanos um prédio de 2000m² foi simplesmente suprimido do planejamento, no campus Araranguá, um conjunto de salas de aula de 2000m² prometido ainda não foi concretizado e no Campus Joinville as obras estão ainda em fase de terraplanagem submetendo, assim, 200 estudantes a ter aulas juntos em uma só sala.
5. O reitor reafirmou que apoia a greve dos servidores. No entanto, este apoio não pode ser apenas uma forma de aliviar sua consciência ou angariar votos na próxima eleição para reitoria. É necessário que o reitor manifeste abertamente ao Governo Federal que a ausência dos serviços básicos está prejudicando gravemente a qualidade do ensino desta universidade e exija a abertura imediata das negociações entre o governo e os servidores. Até o momento não houve nenhuma postura mais firme da reitoria ou da Andifes - Associação Nacional de Reitores -, vice-presidida pelo próprio Professor Prata, com relação a omissão do governo federal às reivindicações da categoria. Ao invés disso, o reitor insiste em dizer que tem dialogado com o governo, embora nenhuma declaração aberta tenha sido dada sobre o conteúdo e resultados destas negociações. A postura covarde de nosso reitor vem prejudicando há quase 3 meses os estudantes e trabalhadores desta universidade.
6. Infelizmente, em sua resposta, o reitor se omite sobre uma reivindicação importantíssima que vimos fazendo de reajuste da bolsa permanência. É fundamental que reconheça que o valor estabelecido em 2007 e iniciado em 2008 de R$ 364,00 está defasado e é insuficiente para assegurar a própria função desta bolsa: a permanência dos estudantes socioeconomicamente vulneráveis. A inflação deste período, que ultrapassou 30%, juntamente com a especulação imobiliária que elevou gigantescamente os aluguéis em Florianópolis, principalmente nos arredores da UFSC, tornam urgente um reajuste deste valor como já é previsto na norma que regulamenta esta bolsa.
Nossos problemas são muitos mais profundos do que mostra o reitor. É evidente que a implementação do REUNI - sob a responsabilidade do vice-reitor Paraná – foi um fracasso e esta incompetência administrativa e política é a causa de muitos problemas que enfrentamos diariamente. Em vez de tentar nos esconder essa realidade, nossos dirigentes deveriam apresentar formas concretas de solucioná-los.
A abertura de uma negociação com esta vigília e a suspensão da proposta de corte de vagas neste vestibular são vitórias do movimento estudantil, que devemos comemorar. Graças às nossas mobilizações conseguimos chamar a atenção dos dirigentes desta universidade para muitos problemas que estamos passando e que insistem em ocultar. Convidamos cada estudante a participar da construção deste movimento. Só assim aumentaremos a pressão sobre a reitoria na busca de soluções. Cabe aos Professores Prata e Paraná assumirem a responsabilidade que tem diante destes problemas e adotar uma postura mais dura com o Governo Federal. Assim, exigimos:
Manifestação pública exigindo do governo federal a abertura da negociação com a FASUBRA para o retorno dos serviços essenciais ao funcionamento da nossa universidade;
Contratação imediata de professores e servidores para que não voltemos a ter novas propostas de corte de vagas e para que se restabeleçam as condições mínimas de ensino;
Plano e prazo de conclusão de todas as obras previstas no REUNI;
Reajuste da bolsa permanência conforme previsto na sua regulamentação.
Assinam: Diretório Central dos Estudantes - CALISS - CALCS - CALE - CALPSI - CALIGEO
CRISE NA UFSC 17/08/2011
Estudantes acampados na reitoria por condições de ensino e permanência
Há algo de podre no reino da Universidade Federal de Santa Catarina. Desde o início do ano, a comunidade universitária sente as consequências de uma expansão de vagas sem a garantia das devidas condições de permanência e ensino. O Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI) muito prometeu, mas pouco cumpriu. De toda a expectativa criada pelo primeiro projeto de ampliação do ensino superior público depois de décadas, restou apenas a apreensão. Filas enormes, bem como a falta de infra-estrutura mínima para o desenvolvimento de uma educação de qualidade é o legado deste programa. Criaram-se cursos novos, mas não há salas de aula – tampouco professores. A UFSC interiorizou-se há mais de 2 anos. Mas Curitibanos, Araranguá e – principalmente – Joinville ainda operam em estruturas improvisadas.
Sem dúvida está claro: para a construção de uma nação soberana, não bastam a simples expansão e parca ampliação de recursos. É preciso que a Universidade esteja inserida dentro de um projeto de País. É imperioso repensar a educação pública brasileira.
Mas aos olhos da reitoria de Álvaro Prata e Carlos Paraná, tudo parece correr bem. Nem mesmo a greve dos servidores técnico-administrativos parece sensibilizá-los. Há mais de dois meses a UFSC funciona na normalidade apenas aparente: sem Biblioteca e Restaurante universitários. O trabalho administrativo como o repasse de notas e matrícula das disciplinas é feito, em geral, por bolsistas que supostamente recebem para exercer a pesquisa acadêmica – um gesto de claro desvio de função e ilegalidade. A administração central, instada a se manifestar, prefere o silêncio. Assim, o caos é institucionalizado. A exceção tornou-se a regra. Seria o momento da reitoria se posicionar em defesa da educação pública, defender nos espaços democráticos alternativas, propor e mobilizar a sociedade para que a universidade deixe de ser uma mera fábrica de diplomas e alce à sua função primordial: pensar a realidade brasileira, ser um espaço independente de reflexão e pensamento. Para que saibamos, enfim, soletrar a palavra Soberania. Mas não é o caso. Os maiores entusiastas da expansão mal-pensada da UFSC são os mesmos que escondem os rostos e furtam-se ao debate neste momento. Os mesmos que apoiaram a expansão, hoje defendem o corte de vagas no vestibular da maior Universidade Pública de nosso estado. Criaram o monstro, mas não querem assumir a responsabilidade por ele.
Por isso, nós estudantes dizemos em alto e bom som: está vaga a cadeira de Reitor em nossa universidade. Apertem os cintos, o Reitor sumiu.
A partir do dia de hoje, 17 de agosto de 2011, os estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, em conjunto com o Diretório Central dos Estudantes e Centros Acadêmicos, iniciaram uma vigília no Hall da reitoria em defesa da educação pública – até que a reitoria enfim se manifeste. Reivindicamos o imediato posicionamento da reitoria contra qualquer possibilidade de corte de vagas nos cursos de graduação; bem como, por parte do reitor, a defesa sem demora do início das negociações da greve dos servidores técnico-administrativos; além do urgente provimento das condições mínimas de estrutura física e de pessoal nos campi do interior.
Contamos com o apoio da população nessa luta em defesa da educação pública.
VITÓRIA NO PRIMEIRO ATO CONTRA O CORTE DE VAGAS NA UFSC 11/08/2011
Mais de 300 estudantes reúnem-se em um ato contra o corte de vagas no curso de Economia e impedem, pacificamente, a votação da proposta de redução pelos órgãos deliberativos da UFSC
No dia de ontem, quarta-feira, os estudantes obtiveram sua primeira vitória na campanha contra o corte de vagas no curso de Economia. Isto porque mais de 300 estudantes se reuniram num Ato Contra o Corte de Vagas, no momento em que seria votada a proposta de redução de vagas já para o próximo vestibular.
Na ocasião, estava acontecendo a reunião que votaria o corte de vagas. Como toda reunião de órgãos deliberativos na UFSC é aberta, os estudantes decidiram entrar para manifestar seu desacordo, ainda que não pudessem votar. Carlos Pinto, o representante da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação, resolveu encerrar a reunião e se retirar, sem ao menos consultar os outros conselheiros presentes se deveria dar continuidade à reunião. Foi desta forma que o autoritarismo e arrogância do representante da Reitoria se manifestou, enquanto alguns dos conselheiros presentes continuaram na sala dialogando com os estudantes e ouvindo nossos argumentos. A forma como a Reitoria tratou os estudantes não surpreende, pois já virou tradição na UFSC. Relembremos as condições em que a redução de vagas no nosso curso foi aprovada:
1 - Reunião do Colegiado de Curso: Numa das últimas semanas de aula, onde apenas dois estudantes e ¼ dos professores que dão aulas para Economia são membros. Os estudantes que não são representantes foram impedidos de manifestarem-se, pelos professores presentes na reunião. Além de não ter feito qualquer tipo de consulta a todos os estudantes do curso, aqueles que foram à reunião (e que não mantém qualquer vínculo com o Centro Acadêmico) não puderam se pronunciar, seja para questionar, defender ou criticar a medida posta em votação.
2 - Reunião do Conselho de Unidade: Durante o período de férias, a proposta foi aprovada em regime de urgência, chegando ao absurdo de membros que votaram a favor sequer terem lido o relatório do NDE, que justifica a medida.
O professor Marcos Valente, coordenador do curso e grande entusiasta do corte de vagas, estava presente na reunião e permaneceu na sala, para logo fazer uma fala. Infelizmente, o coordenador preferiu na ocasião fazer ataques pessoais, em vez de contra argumentar e defender seu projeto de curso. Gostaríamos que o professor Marcos Valente canalizasse tanto esforço e determinação para demandas urgentes do curso, principalmente a contratação de professores. E neste caso, o CALE não abriria mão de lutar ao lado da coordenação de curso, pois nosso horizonte é apenas um, o daqualidade de ensino. E aí, cabe questionar se o professor Marcos Valente também possui este interesse, pois a proposta que ele persegue nessas últimas semanas contempla qualquer interesse que não seja a qualidade do nosso curso.
O nosso sonho permanece intocado: a construção de um curso de Economia com qualidade, capaz de formar economistas preparados para serem bons profissionais, que possam contribuir com o desenvolvimento nacional. E é em nome disso que chamamos todos os estudantes a estarem ao nosso lado, pois a proposta de reduzir as vagas ainda não foi derrubada, e este nos parece ser apenas o início de uma longa jornada.
ESTUDANTES E A GREVE DE SERVIDORES
A concentração do ato se deu no hall do CSE, onde reuniu também estudantes de outros cursos, que nos apoiam na nossa causa, além de se unirem no nosso protesto que também visava pressionar a reitoria por um posicionamento frente à greve dos servidores.
Foi assim que os estudantes se dirigiram até a Direção de Centro, para que o professor Ricardo de Oliveira, na condição de diretor do Centro-Sócio Econômico, assumisse sua responsabilidade enquanto diretor de centro, e mostrasse ao reitor que não há como iniciar um semestre sem condições mínimas de estudo (falta de biblioteca, restaurante universitário, entre outros serviços).
Em seguida, já na reitoria, os estudantes subiram até o gabinete do reitor, onde foram recebidos pelo chefe de gabinete, pois o reitor Álvaro Prata se encontra em viagem. Na ocasião, os estudantes cobraram condições de estudo e permanência, lembrando que o reitor tem o compromisso de exercer sua função, e que ignorar uma greve de meses é uma atitude inadmissível.
CALOURADA 2011.2 - PROGRAMAÇÃO 09/08/2011
CALOURADA 2011.2 - A FESTA! 09/08/2011
GREVE DE SERVIDORES DA UFSC 08/08/2011
Semestre inicia mesmo com greve dos servidores técnico-administrativos
O semestre letivo reiniciou em 44 universidades federais mesmo com a continuidade da greve dos servidores técnico administrativos. A greve nacional iniciada dia 06 de junho, chamada pela Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (FASUBRA), tem como principais pautas a negociação salarial e de plano de carreira, pela contratação de mais servidores e contra a criação da EBSERH¹. Os servidores da UFSC aderiram a greve desde o inicio da mobilização nacional.
Logo após o inicio da paralisação dos servidores da UFSC o DCE tomou a posição de apoio a greve, considerando as reivindicações validas e que uma melhoria nas condições de trabalho deles é necessária para a melhora da qualidade de ensino. Exemplo disso é a intenção da administração central de fechar as bibliotecas setoriais por falta de funcionários.
Porem nem todos os servidores estão paralisados. Os principais setores cujo funcionamento está afetado pela greve são o Restaurante Universitário, a Biblioteca Universitária, o Departamento de Administração Escolar (DAE), o Almo xerifado, alem de diversas secretarias de curso, de departamentos e de centro. O resultado disso é o funcionamento dos setores que garantem a administração central da universidade, ao mesmo tempo que os setores ligados a permanência e a qualidade de ensino, como o RU e a BU, que são responsáveis pelos ajustes de matricula, validação de disciplinas ou mesmo os setores que garantem o papel higiênico nos banheiros, estão parados. Ou seja, aqueles setores que afetam o dia a dia de nós estudantes.
A administração Prata e Paraná, atuais reitor e vice-reitor, tem apresentado uma postura de ignorar a existência da greve na prática, mesmo tendo aprovado no Conselho Universitário o reconhecimento dela. Não se posicionaram em apoio aos servidores, já que os setores que garantem a burocracia central da UFSC ainda estão funcionando. Assim a universidade não tem pressionado o governo federal para atender os grevistas.
O posicionamento aparentemente mais fácil que nós poderíamos tomar é de sermos contra a greve, na busca que os setores parados voltem a funcionar. Ou mesmo de ignoramos a greve como se ela não tivesse acontecendo, já que o semestre recomeçou, tentando buscar saídas individuais para os problemas que nos são apresentados. O posicionamento que o DCE tem tomado é contrario a isso, não apenas por considerar a luta dos servidores da UFSC valida, mas também por achar que essa seria uma posição prejudicial para nós estudantes. Ao não apoiarmos a greve ou sermos contra ela, alem de sermos contra melhorias na universidade, não estamos contribuindo com a seu fim. A greve continuará sem o apoio dos estudantes, a partir da necessidade dos trabalhadores.
O que nos cabe é pressionar a administração da UFSC para que reconheça os problemas que enfrentamos nesse período e pressione os órgãos nacionais, para a reabertura das negociações sobre a greve que, no presente momento, estão interrompidas.
¹EBSERH: Empresas brasileira de serviços hospitalares, instituição que retirará os hospitais universitarios de gestão das universidades e colocará sob responsabilidade desse órgão que poderá ter gestão mista entre iniciativa privada e governo. Primeiramente criada na MP 520, mas derrotada no senado, agora com tentativa de ser criada pela PL1749/11 que tramita na Câmara.
CORTE DE VAGAS NO CSE 08/08/2011
CALE convoca parlamentares, sindicatos, partidos, movimentos sociais e entidades do Movimento Estudantil para campanha contra o corte de vagas na UFSC
A gravidade dos últimos acontecimentos no curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Santa Catarina exigem uma ampla convocatória das forças sociais defensoras da educação pública. Tramita nas instâncias da UFSC o pedido de redução de 55% das vagas do curso presencial de Economia que, caso aprovada a proposta, passará de 180 para 80 vagas. A demanda nasceu do Núcleo Docente Estruturante e, em menos de um mês, foi referendada no Colegiado do Curso, no Colegiado de Departamento de Economia, e no Conselho de Unidade do Centro Sócio-Econômico. Em todos eles, o debate foi tolhido devido a sucessivos “pedidos de urgência” na aprovação do tema, ainda que a maioria dos conselheiros sequer conhecessem o conteúdo do Parecer e suas conclusões. Mesmo assim, a redução de vagas foi aprovada de forma irresponsável nas sucessivas reuniões, com a conivência do reitor e vice-reitor, professores Prata e Paraná, que até o momento se recusam a se manifestar.
O Centro Acadêmico Livre de Economia, consciente da gravidade do tema e de suas implicações, apelou para o bom senso dos conselheiros e demandou um amplo debate entre a comunidade acadêmica, entidades de classe, sindicatos, movimento estudantil e movimentos sociais. Nas diversas ocasiões, desconsiderou-se a opinião da representação discente em nome de uma suposta premência na resolução dos problemas de nosso curso. Os professores afirmam em seu relatório que o problema da qualidade de ensino deriva da baixa relação candidato/vaga para o vestibular de Economia, fato que possibilita a entrada de estudantes pouco capacitados às exigências do currículo e que, por este motivo, terminam por evadir em massa. De forma inequívoca, no entanto, passaram por alto as evidências apresentadas na última avaliação de curso realizada pelo CALE, onde estão explícitas as deficiências do curso em termos de número de professores e sua didática; material bibliográfico; oferta de disciplinas obrigatórias e optativas; bolsas de pesquisa, etc. Somente neste semestre 300 pedidos de matrícula em disciplinas obrigatórias estão sem vagas!
As conclusões do relatório dos professores da Economia falam por si: a culpa da baixa qualidade do curso de Ciências Econômicas, afirma o documento, é dos estudantes! A decorrência de tal análise – fabricada para referendar os interesses do grupo de professores – só poderia ter o mesmo caráter: basta diminuir o número de alunos para elevar a qualidade do curso. Ademais de falsa – por não considerar outros elementos responsáveis pela evasão e desempenho dos estudantes – a proposta é anti-popular nas suas determinações. A diminuição de vagas na universidade pública é, em princípio, um ataque à democratização do ensino superior e a um projeto de nação. O trajeto de todos os países de reconhecido desenvolvimento científico foi o da ampliação da oferta de vagas no ensino superior para – além de elevar o nível geral de educação de seu povo – selecionar seus melhores quadros profissionais.
Reduzir vagas é afastar ainda mais a juventude do ensino superior brasileiro, hoje dominado pelas universidades privadas. Muito se tem debatido sobre a expansão do ensino superior aplicada pelo governo federal nos últimos anos, principalmente através do REUNI. Apesar das críticas que possamos ter a essa política, o fato é que a redução de vagas não é, em caso algum, a solução para os problemas da universidade pública brasileira. Além do mais, aprovação da medida na UFSC abre perigoso precedente para aplicação em outros cursos da universidade. No lugar de jogar a toalha, precisamos de coragem para reivindicar plenas condições de ensino e permanência. E, neste momento, o silêncio da gestão Prata/Paraná só afirma a posição passiva e conservadora de precarização do ensino público.
É o momento de nos unirmos e exigirmos da Administração Central da UFSC e do Ministério da Educação uma posição firme e contrária ao corte de vagas na UFSC!